17-Jan-2021 13:32 - Atualizado em 18/01/2021 08:22
Eleição CBH

Por que a Federação Paulista de Hipismo (FPH) ficará fora do pleito

Segundo CBH, entidade de São Paulo deixou de pagar uma taxa de R$ 2.716,00 referente à prova de Adestramento de 2020. Federação do Amazonas está habilitada

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Na eleição de 30 de novembro do ano passado, duas chapas foram impugnadas e apenas os membros do Conselho Administrativo foram eleitosMarcelo Mastrobuono/Revista Horse
A conturbada eleição para a nova presidência da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), remarcada para o próximo dia 29 de janeiro, ganhou um novo capítulo neste final de semana. Em publicação no site oficial da CBH, realizada em sexta-feira (15/1), não consta a Federação Paulista de Hipismo (FPH) entre as entidades aptas a participar do pleito. O motivo alegado é um débito de R$ 2.716,00 que teria de ser quitado até o dia 29 de dezembro de 2020. A publicação causou revolta em membros e apoiadores da chapa de oposição, que alegam ‘manobra política”. Neste domingo (17/1), a A CBH publicou comunicado em seu site com as justificativas sobre o procedimento (veja íntegra AQUI).

Segundo a nota, o motivo da exclusão da FPH da votação é uma pendência financeira com a CBH referente à taxa do Campeonato Brasileiro de Adestramento, que ocorreu entre os dias 26 e 29 de novembro de 2020, na Sociedade Hípica Paulista, no valor de R$ 2.716,00. “Vale ressaltar que, em uma troca de e-mails no dia 17 de dezembro, essa e outras pendências foram relacionadas à FPH pelo setor financeiro da Confederação. Os boletos foram enviados, porém, não houve quitação desta taxa até a data estabelecida”, afirma o comunicado da CBH.

No documento, o CBH lembra que o prazo de regularização de qualquer pendência financeira com a Confederação era  29 de dezembro, como reza o Estatuto da entidade (Veja AQUI). Como exemplo, cita a Federação Amazonense, que ficou de fora da eleição (cancelada) em 30 de novembro do ano passado, por inadimplência, mas que regularizou sua situação e poderá participar da nova eleição. “A CBH não pode dar tratamento diferenciado ou violar a isonomia. A entidade acredita que regras existem para serem cumpridas por todos os filiados, e lamenta a acusação de manobra política, principalmente por estar tão claro o descumprimento do Estatuto neste caso”, afirma a nota.

Repercussão

Desde a divulgação da lista de entidades regularizadas a participar da eleição da CBH , o assunto repercutiu nas redes sociais e grupos de WhatsappS. O ex-presidente da Federação Paulista de Hipismo, Gabriel Khoury, que encerrou sua gestão (2016-20) no dia 31 de dezembro, publicou uma carta aberta direcionada ao atual presidente da CBH, Ronaldo Bittencourt, afirmando que recebeu o comunicado com “grande surpresa e indignação” e questionou a aplicação da taxa. “Manobra deselegante e extremamente desrespeitosa com a comunidade hípica, com a FPH e com a minha pessoa!”, afirmou (veja íntegra AQUI).

À reportagem da Revista Horse, Gabriel Khoury confirmou que recebeu com surpresa o comunicado na sexta-feira e que ainda está apurando o ocorrido. “A princípio, existia uma possibilidade de isenção a título de fomento, que ainda estava em discussão”, disse ele sobre a taxa em débito com a CBH, destacando que prefere apurar melhor o caso antes de se manifestar. "Teremos desdobramentos no início da semana", completou.

Entenda o caso

A eleição para a nova presidência da Confederação Brasileira de Hipismo, maior entidade de esportes equestres no Brasil, vem arrastando polêmicas desde o ano passado. Depois de muitos anos sem disputas, a eleição realizada no dia 30 de novembro acabou sendo cancelada, com as duas chapas concorrentes sendo impugnadas pela Comissão Eleitoral, sob a alegação de que havia inconsistência de documentos. O que pesou na decisão foi o fato de uma das chapas ter entrado na Justiça comum com vários questionamentos. “É melhor começar tudo de novo, de uma forma mais tranquila, mais correta, do que ter incorrência que possa prejudicar a nova gestão”, justificou o presidente da Comissão Eleitoral, Alexandre Beck Monguilhot, à Revista Horse, que acompanhou o pleito in loco no Prodigy Hotel, no Rio de Janeiro (RJ). Na ocasião, apenas o novo Conselho Administrativo da CBH teve seus membros eleitos (veja AQUI).

A decisão desagradou a chapa de oposição “CBH Forte e Ativa”, que chegou a soltar um comunicado afirmando que tinha os votos suficientes para ganhar a eleição, inclusive com um abaixo-assinado listando as federações e atletas apoiadores. “Nós temos a maioria dos votos e se tornou nítida a intenção de não permitir que não saísse a votação para não perderem. Saímos daqui frustrados”, afirmou o candidato a vice da chapa “CBH Forte e Ativa”, Fernando Sperb (Fêfo). Já o candidato a vice da chapa “Hipismo para Todos”, João Loyo, atribuiu a culpa à chapa de oposição. “A partir do momento que a outra chapa judicializou, entrou no caminho que agora será efetivamente cancelada e fazemos outro pleito. Espero que agora sem esse tipo de argumento”, disse Loyo. (Veja como foi AQUI).

O que pode mudar

A eleição para presidente e vice da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) é realizada por um Colégio Eleitoral formado pelas Federações e representantes dos atletas, cada qual com um peso diferente, de acordo com o número de atletas credenciado. O peso também é estabelecido de acordo com as entidades habilitadas ao pleito. Ao todo são 21 federações e seus atletas, que têm de estar com as questões estatutárias regularizadas para poder participar da eleição. Segundo o comunicado da Conselho Eleitoral, para a eleição do próximo 29 de janeiro, estão habilitados a votar 18 federações e sete representantes de atletas, com a possibilidade de um suplente (veja AQUI)

Sem o voto da Federação Paulista de Hipismo, que já havia declarado apoio a Bárbara Laffranchi, a chapa de oposição “CBH Forte e Ativa” perderia, com base nas entidades habilitadas na primeira eleição impugnada, 218 pontos (veja AQUI o peso de cada federação e atletas, com base na primeira eleição). Por outro lado, ganha os pontos da Federação Amazonense, que teria 38 pontos (com base das entidades habilitadas no primeiro pleito). Pela apuração da Horse, a Federação Amazonense também apoia a chapa de oposição.  

A se valer do ranking de preferência de voto divulgado pela chapa “CBH Forte e Ativa” depois do pleito cancelado, ela ainda manteria a vantagem de 209,3 pontos sobre a chapa “Hipismo para todos” (menos 218 da FPH e mais 38 da Federação Amazonense, com base na configuração do primeiro pleito). Ocorre que praticamente todas as federações realizaram eleições no final do ano e novos nomes assumiram a presidência de muitas entidades. 

 

Revista Horse
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