23-Set-2020 11:16 - Atualizado em 23/09/2020 11:27
Reprodução

Porteiras abertas à temporada de monta

Neste período a nutrição e a condição corporal da éguas podem adiantar ou atrasar a entrada em estação reprodutiva

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Horse

Quando falamos em reprodução equina, alguns aspectos referentes à fisiologia dessa espécie devem ser abordados para entendermos o motivo da importância de um controle reprodutivo mais próximo e frequente. Fisiologicamente, classificamos as éguas como poliéstricas estacionais, ou seja, possuem o ciclo reprodutivo apenas em uma época do ano. Esse período é conhecido como temporada ou estação de monta e acontece durante a primavera e verão, mais precisamente entre os meses de setembro e fevereiro, quando a quantidade de luz diária é maior e ela é responsável pelo estímulo do ciclo reprodutivo. Nos meses de outono e inverno, devido a menor incidência de luminosidade, as éguas entram em um período que chamamos de anestro, quando todo trato reprodutivo e hormonal fica inativo.
Os períodos de estação reprodutiva e anestro estão interligados por um período chamado de transicional, que ocorrem geralmente nos meses de agosto e março. São períodos de adaptação fisiológica para iniciar ou encerrar uma temporada reprodutiva.

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É comum éguas começarem a manifestar cio nos meses de agosto e setembro, porém sem a presença de ovulação
No mês de agosto, ou fase transicional de primavera, inicia-se o controle reprodutivo por parte dos médicos veterinários da área da reprodução equina. Esse é um período onde a nutrição e condição corporal da fêmea poderão adiantar ou atrasar a entrada em estação reprodutiva.
Para que todos esses fatores sejam diagnosticados com precisão, é fundamental a presença de um profissional experiente e que conte com o auxílio de um bom exame ginecológico associado à ultrassonografia para determinar se uma fêmea encontra-se em anestro, transacional ou já em plena estação reprodutiva.
Esse diagnóstico é muito importante, pois é muito comum algumas éguas começarem a manifestar cio nos meses de agosto e setembro, porém, às vezes, sem a presença de uma ovulação (liberação do oócito ou gameta feminino) e como consequência teremos uma égua submetida à monta, porém sem resultar em prenhez.
Quando temos a presença de um controle mais próximo, através dos exames citados, o médico veterinário consegue diagnosticar esse “falso” cio (sem ovulação) e não submete a fêmea a uma cobertura desnecessária. Dessa forma também, é possível afirmar o momento que essa fêmea entrou na estação reprodutiva.
Durante a temporada de monta, a presença do médico veterinário da reprodução é fundamental para a realização do controle reprodutivo para otimizar as montas naturais ou inseminações artificiais. O registro de todas as informações sobre aquela ou essa fêmea é essencial para o controle do número de prenhezes, taxas de perdas embrionárias e fetais. Esses números são fundamentais para garantir o sucesso de uma criação.
A égua é uma espécie que possui um estro (cio) muito longo, varia de cinco a sete dias, sendo que o momento da ovulação é muito impreciso. Por esta razão, há muitos anos, alguns criadores estipulam montas naturais em dias intercalados durante todo o cio da égua. Isso gera em torno de três a quatro coberturas em período de sete dias, sendo que cada cobertura gera um enorme desafio ao útero da égua, pois além de sujidades, o volume do sêmen do garanhão é alto, variando de 50 a 100 ml.
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Fazer o controle folicular com auxílio do ultrassom ajuda a indicar com precisão o melhor momento para a monta natural ou inseminação artificial
Quando realizamos o controle folicular com auxílio do ultrassom podemos indicar com precisão o melhor momento para monta natural ou inseminação artificial, evitando assim, coberturas desnecessárias, minimizando esse desafio causado pelo sêmen ao útero das éguas. Esse controle folicular visa o acompanhamento de uma estrutura chamada de folículo que está localizada no ovário das éguas e que dentro leva o material genético da égua, denominado oócito, bem como a qualidade do útero dessa fêmea e se o mesmo está apto a receber o espermatozóide para uma fecundação e posterior gestação.
Como objetivo, o médico veterinário precisa fazer com que a monta ou inseminação artificial ocorra muito próximo ao momento da “ruptura” desse folículo, evento conhecido como ovulação. Além desse controle reprodutivo durante a estação de monta com o intuito de otimizar as taxas de prenhez, o acompanhamento da gestação pelo exame ultrassonográfico é muito importante para poder tentar prevenir algumas alterações como placentites, abortos inesperados, entre outros.
Enfim, podemos afirmar que nos dias atuais e futuros, os resultados de prenhez dentro de uma propriedade dependem diretamente de um profissional habilitado e capacitado para realizar todo esse controle reprodutivo, principalmente devido à inserção crescente das biotecnologias como inseminação artificial e transferência de embriões. (Artigo publicado na edição 71 da Revista Horse)

Revista Horse
Kadu Camargo

Kadu Camargo

Professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, responsável pelo G.E.R.E. (Grupo de Estudos em Reprodução Equina PUCPR); Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Medicina Animal: Equinos, na área da Reprodução Equina da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). E-mail: [email protected]

 

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