03-Abr-2020 12:50
Palavra do tropeiro

Primavera, a estação da fertilidade

Período traz muitas alegrias aos criadores, mas também são necessários alguns cuidados especiais

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Palavra do Tropeiro
Bem, chegamos ao quarto final do ano e meio da primavera. Época em que a seca fica esquecida, a temperatura sobe, os pastos verdejam, folhas e flores embelezam a paisagem, dias ficam mais longos e algumas espécies se reproduzem. Entre elas, os equinos, mudando assim o manejo tradicional dos haras de duas maneiras. A primeira são os cios bem mais frequentes e, a segunda, os nascimentos dos produtos da estação passada. Os reprodutores também se dão conta disso e ficam mais agitados. Com menos frio pela manhã, até os envolvidos no dia a dia têm mais ânimo para o trabalho. Cabe lembrar também que a chegada do horário de verão contribui para esse sentimento dos humanos. Tudo muito natural.

Como as éguas têm uma gestação de 11 meses, às vezes alguns produtos nascem ainda no final do inverno, o que não é problema para mães bem nutridas. O cuidado agora é isolá-las em pequenos grupos, separando-as das demais, para que os recém-nascidos não sejam vítimas de brigas das adultas. Este “paridor”, como costumamos chamar, deve, de preferência, ficar próximo às moradias do pessoal de manejo, até porque eventualmente se faz necessária a intervenção do homem para ajudar no parto. Igualmente é conveniente que se queime o umbigo o quanto antes, observando se o recém-nascido está mamando.
Atentem-se, também, se o neonato está defecando, pois obstruções podem gerar retenção de mecônio. Com relação as jumentas, o procedimento é igual, embora elas não respeitem a estação de monta, já que bem tratadas mantêm o ciclo fértil o ano inteiro.

Outra característica instintiva delas - o que facilita ao homem saber que chegou a boa hora - é que elas zurram todas ao mesmo tempo, como que comemorando o nascimento.
Jumentinhos e jumentinhas não devem tomar chuva nos primeiros meses de vida, devido ao altíssimo volume de pelos compridos. A água encharca o animal, provoca pneumonias e apodrecimento do couro, ambos problemas podem levar a morte. Indica-se a tosquia da parte superior do corpo, o que diminui muito a retenção da água. Mas cuidado, pois algumas jumentas podem rejeitar os filhos. Asininos, por serem mais orelhudos, em alguns poucos casos apresentam recém-nascidos com assimetria nas orelhas. Algumas assimetrias corrigem-se com o tempo, e outras precisam de alguma ajuda, como, por exemplo, enfaixar a orelha com um palito de sorvete.

Quanto à parte reprodutiva, os rufiões iniciam seus trabalhos e as fêmeas, estando no cio, que não são controladas por ultrassom, são cobertas em dias alternados. Para criatórios que adotam a ultrassonografia, diminuindo muito o volume de cobrições desnecessárias, o trabalho é consequentemente mais limpo. Também ocorre um aproveitamento muito maior das ejaculações de cada um dos reprodutores. Lembrem-se que os Jumentos são muito mais férteis que os Garanhões, facilitando ainda mais o manejo.

Estando tudo bem encaminhado, resta-nos curtir a alegria dos novinhos brincando pela pradaria, avaliando suas qualidades. Assim, definem-se os acasalamentos da futura geração. Bom trabalho...  

Revista Horse
Martin Frank Herman

Martin Frank Herman

É proprietário do Criatório Campeãs da Gameleira e colunista da Revista Horse. E-mail: [email protected] 

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