27-Mai-2021 10:43
Veterinária

Primeiros Socorros

Rapidez na detecção da cólica é fundamental para contornar o problema

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Os primeiros socorros em equinos, realizados corretamente, fazem a diferença entre a vida e a morte do animal. Apesar de todo o seu tamanho e força, os cavalos apresentam certas características que favorecem o rápido declínio de seu equilíbrio clínico, sendo assim são muito susceptíveis a quadros que demandam grande atenção e agilidade no atendimento, pois caso contrário, invariavelmente, podem levar o animal a óbito.
Todo proprietário de cavalos já ouviu falar, ou vivenciou um caso de cólica. Essa temida síndrome apresenta não só uma, mas sim diversas causas e consequências, e a rapidez na detecção do problema, e na iniciativa do processo de resolução, é importantíssima para um final positivo.

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Ter um kit de primeiros socorros e pessoas treinadas para lidar com determinadas situações também podem fazer a diferença na vida do animal
Outro bom exemplo são as feridas hemorrágicas, pois a imagem de um cavalo sangrando, por muitas vezes cria uma situação de pânico entre os presentes.
Um fato conhecido no meio equestre é que os “bons” (e prestativos) veterinários de equinos têm uma agenda cheia e percorrem vários locais muitas vezes não tão próximos, e aí entra a necessidade de se obter tempo até a chegada do profissional.
Muitos são radicalmente contra a intervenção de proprietários, treinadores, tratadores e afins, mas, na minha opinião, estas pessoas, quando bem orientadas, tornam-se uma importante ferramenta de ajuda ao médico veterinário, não somente durante uma emergência, mas também na rotina do ambiente equestre.
Um cavalo que apresenta um quadro de dor aguda, como por exemplo, a cólica já citada, pode sofrer graves lesões se não receber algum tipo de assistência imediata, pois o animal tende a deitar, rolar e, até mesmo, se atirar violentamente ao chão durante uma crise de dor. Neste momento uma pessoa com habilidade e com certo treinamento e orientação pode fazer uma grande diferença. Esse é o tipo de primeiros socorros que vale a pena.
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O que é totalmente diferente de chamar um prático ou conhecido para tentar resolver o problema, e daí, quando não acontece a “solução mágica”, partir para chamada de um profissional.
As pessoas envolvidas diretamente com os equinos devem estar preparadas para esse tipo de ocorrência, principalmente em locais onde a presença constante de um veterinário não é comum. Essa preparação envolve não somente o conhecimento para realizar algum tipo de manobra ou aplicação, mas também a disponibilidade de materiais que possibilitem esse primeiro atendimento. Medicamentos essenciais, material para curativos, agulhas e seringas (estéreis), devem estar presentes em todo local que aloje equinos.
Outro fator importantíssimo é o controle emocional do indivíduo que atuará nesse primeiro momento. É preciso atuar de forma rápida, porém não afobada, com objetivos claros e focados naquilo que realmente é grave. Não é hora de ficar passando pomada em um raspão na pele!
O veterinário que presta assistência nesses locais pode realizar certos treinamentos envolvendo as situações mais comuns, descrevendo, por exemplo, uma sequência de ações para cada caso até sua chegada e também indicar os materiais e medicamentos mais importantes para estarem à disposição. Em dias como feriados, finais de semana e em muitas madrugadas, esse tipo de “estoque” já ajudou muita gente, e me incluo nessa lista.
Em um meio cada vez mais aprimorado e tecnificado, estão se extinguindo (graças a Deus!) os “entendidos”, e abre-se espaço para os treinados e corretamente orientados. Assim o treinador, tratador ou outro profissional envolvido não tenta mais ser o “meio-veterinário”, mesmo porque o proprietário do animal não admite mais esse tipo de conduta. Mas acredito que cabe ao veterinário instruir essa equipe da qual ele faz parte, para atuar principalmente na prevenção e rápida detecção do problema, além de realizar possíveis primeiros atendimentos até sua chegada, trabalhando de forma sincronizada e prestativa, visando a integridade do paciente. (Artigo publicado na edição 95 da Revista Horse)

Revista Horse
David Filho

David Filho

Médico veterinário, formado pela Universidade Estadual de Londrina, atuando em Clínica geral de equinos. Habilitado pelo MAPA para emissão de GTA, habilitado pela FPH para microchipagem. 
E-mail: [email protected]

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