11-Fev-2020 15:41 - Atualizado em 11/02/2020 16:03
Veterinária

Raiva: fatal e sem cura

Os sintomas mais comuns incluem cólicas, prostração, posturas anormais, relincho frequente, agressividade, claudicação, incoordenação e dificuldade para andar.

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Recentemente, o aumento do número de casos de raiva equina vem causando grande preocupação aos proprietários da região oeste do interior paulista. De difícil quantificação, pois muitos casos não são notificados, estima-se que o número de casos aumentou em 100% nos últimos meses.

A Raiva é uma doença viral transmitida através do contato da saliva de um animal doente com algum ferimento ou então através da mordida, quando há a inoculação direta deste vírus. No equino, a forma mais comum de contaminação é através da mordida de morcegos hematófagos (que transportam o vírus), mas outros animais, inclusive os próprios cavalos, podem transmiti-lo. O período de incubação do vírus (contaminação) até que ele apresente os primeiros sintomas pode demorar de alguns dias a até um ano, portanto, nem sempre a lesão inicial da mordida é encontrada.

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Em razão de ser uma zoonose, fatal e sem cura, deve ser considerada no diagnóstico das doenças que apresentam sintomas neurológicos agudos com evolução em um curto período de tempo de até sete dias

Os sintomas mais comuns incluem cólicas, prostração, posturas anormais, relincho frequente, agressividade, claudicação, incoordenação e dificuldade para andar. Conforme o quadro vai se agravando, o animal se coloca deitado em decúbito esternal ou lateral quando por fim faz movimentos de pedalagem e depois vem a óbito.

Apesar dos sintomas acima descritos, os casos estão sendo muito particulares e estão dificultando o diagnóstico e a suspeita clínica do animal ainda vivo, se apresentando desde casos de obstrução esofágica com ração, na qual o animal mesmo depois de desobstruído não melhora e apresenta outros sintomas nos dias posteriores a casos de cólica ou ainda incoordenação de potros jovens de um a dois meses de idade.

Assim que houver suspeita da doença deverá ser examinada por um médico veterinário com muita cautela, com uso de luvas de proteção, para que possa excluir demais doenças que apresentam sintomas parecidos como encefalites virais ou protozoárias, traumas e intoxicações.  Não há tratamento, mas durante o percurso da doença, enquanto as outras doenças são descartadas, o animal deverá ser mantido isolado de outros animais e manipulado o mínimo possível.

Infelizmente, o diagnóstico laboratorial mais preciso que confirma a infecção é realizado após a morte do animal. O material para análise deve ser coletado pelo médico veterinário com o envio de todo encéfalo para o laboratório. A confirmação vem de 48 horas a até 30 dias, dependendo do exame realizado.

A única forma de prevenir é através da vacinação, que deverá se iniciar ainda quando potro, a partir do 4º mês de vida, com reforço em 30 dias e após revacinação anual.

Em virtude do surto que está ocorrendo, a sugestão é que os Médicos Veterinários também devam procurar o serviço de saúde mais próximo de sua região e se vacinar, fazer a verificação anual da titulação e se necessário tomar uma dose de reforço.

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Daniel Zacarias Zago é médico veterinário formado pela Unisa/SP e atua na área de clínica geral, nutrição e reprodução equina

Revista Horse/Daniel Zago
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