12-Jul-2016 15:28 - Atualizado em 18/07/2016 10:51

Reabilitação: Os quatro passos da EQUOTERAPIA

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ArtigoNa prática de treinamento pode-se perceber como os animais repetem o comportamento humano
Ao se deslocar ao passo, o cavalo realiza um movimento em seu dorso muito semelhante à marcha humana, fazendo com que o movimento provocado na bacia pélvica de quem está no seu dorso seja 95% semelhante ao de uma pessoa andando a pé.

O homem inicia o seu movimento por meio de perdas e retomadas de equilíbrio e dá sequência ao seu deslocamento pela força muscular de seus membros inferiores. Quando parado, o homem provoca uma perda de equilíbrio para frente, em seu deslocamento, produz um movimento para cima e para baixo, sua cintura pélvica sofre uma torção no plano horizontal para o lado do pé que está recuado. É exatamente este movimento que gera os impulsos que acionam o sistema nervoso para produzir as respostas que vão dar continuidade ao movimento e permitir o deslocamento.

A característica mais importante para a Equoterapia é o que o passo produz no cavalo e transmite ao cavaleiro, uma série de movimentos sequenciados e simultâneos, que são transmitidos ao cérebro do praticante, por meio de seu sistema nervoso, 95% semelhante ao de uma pessoa andando a pé e por mecânica é a andadura básica usada na Equoterapia.

O passo do cavalo possui as seguintes características:

- uma andadura rolada ou marchada (sempre existe um ou mais membros em contato com o solo, não possuindo tempo de suspensão); andadura ritmada (cadenciada, a quatro tempos, isto é, ela se produz sempre no mesmo ritmo e na mesma cadência, que entre o elevar e o pousar de um membro se ouvem quatro batidas distintas, nítidas e compassadas, que correspondem ao pousar dos membros do animal);

- uma andadura simétrica (todos os movimentos produzidos de um lado do animal, se reproduzem de forma igual e simétrica do outro lado, em relação ao seu eixo longitudinal);

- a andadura mais lenta (em consequência as reações que por ela se produz são mais lentas, mais fracas, resultando em menores reações sobre o cavaleiro e mais duradouras).

O passo caracteriza-se pelo deslocamento dos membros e uma passada traduz-se pelo deslocar de um único membro. A frequência está em função do comprimento do passo e da velocidade da andadura. Analisando o deslocamento de um cavalo passo a passo, ao final do primeiro minuto, será possível obter quantas passadas foram realizadas, que podem variar de 48 a 70.

O cavalo é considerado de frequência baixa se sua media de passadas for igual ou inferior a 56 passos por minuto. E alta, se for superior a 56 passos por minuto. O ritmo do passo apresenta, em média uma frequência de 1 a 1,25 movimentos por segundos que leva ao praticante a realizar de 1800 a 2250 ajuste tônicos em trinta minutos de sessão.

Os tipos de amplitude de passada do cavalo são classificados em: transpistar (o cavalo apresenta um comprimento de passo longo quando sua pegada ultrapassa a marca da pegada anterior); sobrepistar (o cavalo possui uma amplitude média, quando sua pegada coincide com a marca da pegada anterior); e antepistar (o cavalo apresenta um comprimento de passo curto quando sua pegada antecede a marca da pegada anterior).

A Federação Equestre Internacional define em seu artigo 403 do Regulamento Paraequestre o passo e identifica quatro variantes levando em consideração a amplitude, a frequência e a atitude do cavalo. São reconhecidos os seguintes passos: Passo Reunido, Passo Médio, Passo Alongado e Passo Livre.

Devendo sempre haver uma nítida diferença na atitude e no transpistamento, nestas variações.

Passo Reunido

O cavalo, conservando-se "na mão", move-se resolutamente para frente com seu pescoço sustentado e arredondado e, demonstrando uma nítida auto-sustentação. A cabeça aproxima-se da posição vertical, devendo ser mantido leve contato com a boca. Os posteriores engajam-se sob a massa com uma boa ação dos jarretes. A andadura deverá manter-se marchada e enérgica, com uma sucessão regular do pousar dos membros.

Cada passada cobrirá menos terreno e será mais elevada que no passo médio porque as articulações se dobram com mais intensidade. O passo reunido é mais curto que o passo médio, embora mostrando mais atividade. O cavalo antepista-se ou quando muito sobrepista-se.

Passo Médio

É um passo claro, regular e fácil, com um alongamento médio. O cavalo conservando-se "na mão” marcha energeticamente, porém descontraído, num passo igual e determinado, os posteriores apoiando-se no solo à frente das marcas dos anteriores (ou sobrepista). O cavaleiro conserva um contato leve, macio e constante com a boca de seu cavalo, permitindo o movimento natural da cabeça e do pescoço.

Passo Alongado

O cavalo cobre o máximo de terreno possível, sem precipitação e sem perder a regularidade de suas batidas. Os posteriores pousam nitidamente à frente das marcas dos anteriores. O cavaleiro permite que o cavalo alongue seu pescoço e avance sua cabeça (para frente e para baixo) sem, todavia, perder o contato com a boca e o controle da nuca. O chanfro deve estar nitidamente à frente da vertical.

Passo Livre

O passo livre é um andamento de repouso no qual se deixa ao cavalo inteira liberdade para baixar a cabeça e estender o pescoço. Quando o pescoço alonga para frente e para baixo, a boca deverá atingir mais ou menos a linha horizontal correspondente às espáduas. Um contato consistente e elástico com as mãos do cavaleiro deve ser mantido. A andadura deve manter seu ritmo e o cavalo deve permanecer leve nas espáduas, com os posteriores bem engajados.

Esta é a grande vantagem da utilização do cavalo. O praticante é incapaz de gerar os movimentos por si só. Neste caso, o cavalo gera os movimentos e os transmite ao cavaleiro, e desencadeia o seu mecanismo de resposta. Apesar dos movimentos se processarem de maneira rápida, ela não é tão rápida que impeça o seu entendimento pelo cérebro humano. E a sua repetição, simetria, ritmo e cadência fazem com que as respostas surjam de maneira bastante rápida.

Cavalgar com as devidas adaptações, respeitando os limites de cada praticante de equoterapia proporcionará a ele progressos e vitórias, estimuladas pelo sentimento de liberdade e auto-confiança adquirida após conseguir dominar um animal de grande porte.

Ao mesmo tempo, o praticante que, por algum motivo, tem dificuldade ou até mesmo não consegue exercitar-se, tem no cavalo, devido a grande semelhança de movimentos, os estímulos necessários ao cérebro a fim de que o cavaleiro faça os ajustes tônicos necessários para manter seu equilíbrio sobre o cavalo, no que implicará uma forma inconsciente de exercitar-se.

Eduardo Colamarino

Eduardo Colamarino

é membro da Associação Nacional de Equoterapia, membro da CBH, especialista em Equitação para Equoterapia pela UNB, coordenador técnico do Programa Equus
e-mail: [email protected]

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