11-Fev-2020 14:28 - Atualizado em 11/02/2020 15:02
Veterinária

Rodococose em potros

Perda de apetite, apatia, fraqueza e tosse são alguns dos sintomas dessa doença que atinge animais dos dois aos seis meses de vida

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A rodococose, com esse nome meio esquisito, é uma enfermidade infeciosa causada pela bactéria Rhodococcusequi, que atinge principalmente o sistema respiratório e, ocasionalmente, o sistema digestório de equinos.A enfermidade é considerada oportunista, ou seja, quando as condições de manejo não são boas (sujeira, excesso de poeira, alimentação ruim, piquetes superlotados, ausência de calendário de vacinação e vermifugação do rebanho, potro que não ingeriu colostro ou era de péssima qualidade) a bactéria dissemina-se facilmente. A principal importância é atribuída ao alto prejuízo econômico, devido ao custo, duração e pouca eficiência do tratamento, além da morte de potros com alto valor genético e comercial.

A doença atinge especialmente potros de dois a seis meses de idade, período que coincide com o declínio de anticorpos maternos (obtidos através da mamada do colostro de boa qualidade) e início de produção de anticorpos pelo potrinho. Em equinos adultos é de rara ocorrência.

A principal porta de entrada inclui as vias aéreas, ou seja, inalação de poeira contendo a bactéria, mas também pode ocorrer pelo sistema digestivo, através de ingestão de fezes (um hábito comum em potros).

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos são perda de apetite, apatia, fraqueza, anemia, intolerância ao exercício, frequência respiratória aumentada, pneumonia, aumento de linfonodos localizados abaixo da mandíbula, tosse, secreção nasal purulenta e febre alta. Em alguns casos pode ser observado alterações digestivas com diarreia, fezes pastosas e fétidas, e articulares com dor e aumento de volume nas articulações.

Com o agravamento do quadro clínico, o potro fica deitado, com respiração dificultosa e abdominal, anoréxico e cianótico (mucosas roxas) evoluindo para o óbito por insuficiência respiratória (bactéria danifica o pulmão e potro não consegue respirar de forma eficiente).

Diagnóstico e tratamento

Tanto diagnóstico como tratamento desta enfermidade devem ser realizados por um médico veterinário. O histórico e sinais clínicos nos potros são bastante sugestivos de rodococose, sendo a enfermidade confirmada por exames complementares, como ultrassonografia e radiografia do pulmão, exame de sangue, sorologia, citologia e cultura de secreções respiratórias.

O tratamento é baseado no controle da inflamação e infecção, sendo necessário por longo período (geralmente de um a três meses, com anti-inflamatório, antibiótico, protozoocida e suporte), devido a características de resistência do micro-organismo. Além da terapia medicamentosa, deve-se fornecer terapia de suporte e melhorar o manejo (Veja abaixo).

Zoonose

Os cuidados com a rodococose se estendem aos humanos, já que é considerada uma zoonose (doença que pode ser transmitida de animais para humanos), sendo considerada uma enfermidade especialmente importante para humanos imunodeficientes (exemplo: portadores de HIV, submetidos a transplantes de órgãos, com câncer, entre outros). Por isso, a manipulação de um potro com sinais sugestivos de rodococose deve ser feita com auxílio de luvas (evitando contato com as secreções).
          Vale ressaltar que Rhodococcusequi é um micro-organismo encontrado no ambiente e em fezes de equinos e outros herbívoros. Todos os potros terão contato com esta bactéria ao longo da vida, no entanto somente algumas cepas (“subtipos” da bactéria) são capazes de produzir a doença. Sendo assim, a melhor forma de evitar a doença é manejando equinos de forma apropriada, atuando de forma preventiva, antes de ter que lidar com os prejuízos causados pelos animais doentes.

Como prevenir

Os cuidados para prevenção da rodococose devem começar pelas éguas mães, incluindo adequada alimentação, vacinação, vermifugação e manejo geral (égua é responsável pela transferência passiva de imunidade ao potrinho, além de sua alimentação – mães sadias tem mais chance de criarem potros sadios). Veja abaixo algumas recomendações essenciais para evitar a doença em seus animais. O conjunto destas medidas auxilia tanto na recuperação de animais doentes como na redução da ocorrência da doença em temporadas futuras.

- Avaliação da transferência de imunidade passiva do potro durante a primeira semana de vida (teste Z – realizado com o soro do potro)

- Assegurar que o potro esteja alimentando-se (colostro seguido de leite materno, pasto de boa qualidade e água a vontade)

- Ambiente bem ventilado, porém não exposto ao vento, chuva e frio

- Evitar exposição à poeira - movimentar as éguas e potros preferencialmente no início da manhã (orvalho umedece o solo) ou locais recobertos com grama

- Evitar superlotação de piquetes

- Dividir animais por categoria nos piquetes (éguas prenhas, paridas, potros desmamados...)

- Isolamento de potros doentes dos sadios

- Monitoração diária da temperatura dos potros, principalmente em haras que já tiveram a enfermidade previamente (a febre é a primeira alteração clínica detectável de forma precoce)

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Fernanda Carlini C. Santos é médica-veterinária formada pela UFSM. Especialista e Mestre pela UFPel. Trabalha com Reprodução Equina. E-mail: [email protected]

Revista Horse/Fernanda Carlini C. Santos
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