17-Mar-2020 10:05 - Atualizado em 17/03/2020 10:26
Devoção

Romaria na medida certa

Escolha de um bom trajeto e boa organização podem transformar sacrifícios em momentos de grande prazer com belíssimas paisagens, como constatou a reportagem da Horse

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Sempre que se fala em Romaria, tem-se logo a impressão de grandes sacrifícios veiculados ao pagamento de promessas religiosas. Muita gente já atrelou esse tipo de atividade a bebedeiras, com cavalos e cavaleiros pelo acostamento de estradas e correndo riscos de acidentes. Uma boa organização, entretanto, pode transformar a romaria em um prazeroso exercício de lazer.

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Romaria 62
Para ver isso de perto, a reportagem da Revista Horse aceitou o convite do criador e muladeiro Toninho Peró para acompanhar um trecho do percurso entre Nazaré Paulista e Aparecida do Norte, no interior de São Paulo, nos primeiros dias de novembro. Fizemos o trajeto de Nazaré até Joanópolis, com um total de 46 km.
Fomos montados em uma mula da Estância Sankara, a Pérola, de 13 anos. Foi a primeira vez que fizemos um percurso longo em um muar e as impressões foram as melhores possíveis. Um animal calmo, confortabilíssimo e com uma dinâmica de marcha firme e constante. Ao final do percurso, ela estava inteira, aparentemente disponível para mais alguns quilômetros.
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Depois de um longo percurso, parada para descanso e almoço improvisado sob um boa sombra de árvores
O grupo foi formado por aproximadamente 50 pessoas, entre adultos, crianças e pessoas, vamos dizer, mais experientes. Andamos praticamente todo tempo por estrada de chão, com pouquíssimo tráfego de veículos. Passamos pelo centro de algumas cidades e alguns pequenos e inevitáveis trechos de acostamento de estrada.
Junto conosco, fazendo o mesmo percurso, ora na frente ou por momentos atrás, vinha uma comitiva de veículos de suporte, com caminhonete e carros de passeio. Café, água, bolacha e outros acessórios de suporte. Sim, também haviam cervejas, consumidas muito moderadamente durante o momento de descanso, o que nos impressionou de forma bastante positiva.
Entre Nazaré e Joanópolis, fizemos apenas duas paradas maiores, com descanso de 30 a 40 minutos. Uma delas para um lanche, na casa de dona Maria, em Piracaia, e outra em uma sombra à beira da estrada, para um almoço improvisado com arroz, panceta de porco e bife de boi. Boia rápida, um pouco de bate-papo, enquanto alguns tentavam um cochilo e...pé no estribo.
No restante do percurso fizemos apenas breves descansos para dar água aos animais. Passamos entre grandes montanhas, com vista para belíssimas paisagens. Corredores arborizados, floridos e um horizonte que mereceu pausas de contemplação. Já andamos muito montados por este Brasilzão e nem imaginávamos que no interior de São Paulo, em uma romaria a Aparecida, pudesse proporcionar tamanho prazer visual.
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No trajeto, paisagens bucólicas, até a chegada à Cachoeira dos Macacos
Na romaria de Toninho Peró também não tinham aqueles engraçadinhos, que gostam de se aparecer e fazer “gracinhas” com seus animais. Aqueles que saem galopando como loucos, abusam das esporadas e outras besteiras a mais. Quase sempre o pessoal vai se revezando em grupos, com assuntos variantes. O assunto recorrente, claro, era jumentos, burros, muares e como eles podem ser melhores...
O trajeto terminou em uma hospedaria em Joanópolis, já quase no final da tarde. Demos água aos animais e um banho de balde, antes de soltá-los, todos juntos, em um piquete da propriedade. Nós, obviamente, muito mais exaustos do que eles.
Ainda deu tempo de fazer uma visita rápida à Cachoeira dos Macacos, ponto turístico da cidade. Valeu a pena. Uma queda d’água de mais de 80 metros atrai muitos visitantes e proporciona o descanso extra à alma de quem andou quase 50 km no lombo de uma mula. De volta à pousada, daí sim uma merecida cerveja gelada e um jantar saboroso.
Nossa digestão foi no caminho de volta para casa. Peró e sua turma foram para cama, descansar e seguir viagem no dia seguinte. Chegaram a Aparecida dois dias depois, percorrendo um total de 197 km. Tudo em ordem! Sem promessas, mas com a missão cumprida. Um exemplo do que deve – e pode – ser uma boa romaria!  (Artigo publicado na edição 62 da Revista Horse)

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