19-Jul-2019 12:05 - Atualizado em 19/07/2019 16:29
bem-estar animal

Sangue na pista

Vídeo que circula em grupos de WhatsApps, com o sangramento de uma mula em prova, causa revolta e protestos. Veja a versão dos envolvidos

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Um vídeo com imagens de uma mula sangrando na região da paleta durante uma prova de muares (VEJA AQUI gerou protestos e polêmica em redes sociais. O evento ocorreu no final de semana em Governador Valadares (MG), enquanto o juiz da prova, Fernando Maranhão, apresentava seus comentários sobre os resultados da prova. O animal com sangramento era a mula Tieta, montada pelo cavaleiro Thiago Leal, que havia ficado com a primeira colocação. Diante da polêmica, a reportagem das revistas Horse e Muladeiros ouviu os envolvidos para saber a versão sobre o episódio, que revoltou muitos criadores e pessoas envolvidas com o meio.

Segundo o cavaleiro Thiago Leal, o ferimento ocorreu depois do encerramento da prova, quando foi cumprimentar seus companheiros de equipe. "Na hora que saí para comemorar com o pessoal, fui bater com a mão com o Paulo "Bin Laden" que trabalha com a gente no caminhão, e minha esposa Bruna, ela [a mula Tieta] refugou e baixou para trás refugando. Com isso, minha espora bateu na paleta dela. Assim como toda espora que o pessoal usa em prova, não é uma espora que corta, malvada, vamos dizer assim, mas como é uma mula tosqueada, bem tratada e totalmente muscalada, como ela é, estava com as veias dilatadas e a espora acabou pegando uma veia e eu não vi", relata ele. "Já tinha passado pela conferência toda e anunciado o campeão e durante uma volta saiu este sangue. Nas voltas anteriores não deu sangue, tanto que muita gente filmou", acrescenta.

O cavaleiro afirmou que ficou surpreso com a repercussão e os comentários nas redes sociais e planeja, ainda nesta sexta-feira (19/7), produzir um vídeo esclarecendo. "Isso pode acontecer com qualquer pessoa em qualquer modalidade. Muitas das vezes a pessoa vai limpar, vai enganar e eu não entendi o que aquele rapaz [que filmou] fez o vídeo, até porque ela [Tieta] foi merecedora do título de campeã e eu também nem sabia que tinha acontecido aquilo", afirma, destacando que "o juiz Fernando Maranhão acabou levando a culpa por uma coisa que não tem nada a ver". "Isso está indo longe demais. Fui eu que bati não propositalmente, porque ela refugou. Não iria nunca espancar ela na espora, mesmo porque sou uma pessoa que prezo pelo bem-estar dos animais", garante.

O proprietário da mula Tieta, Caco Barros, também defende a atuação do cavaleiro ."Fico com dó do Thiago porque foi uma fatalidade. Jamais ele queria fazer isso, judiar do animal. Foi na hora da alegria, que ele toca a mula com a espora, quando sai correndo para comemorar com a mulher. Infelizmente aconteceu e, agora, fazer o quê?, questiona". Segundo Caco, episódios de sangramento ocorrem com certa frequência e os animais são retirados de pista. "Se tivesse acontecido durante a prova e o juiz tivesse visto e retirado de pista, para mim tudo bem, infelizmente sangrou e foi retirada, como acontece em várias provas", afirma, destacando que, depois da prova, a Tieta ficou em pista e, segundo ele, "mais de 20 pessoas montaram-na para experimentar.  "Tieta é uma artista", afirma.

Revolta

Nos comentários postados em grupos de WhatsApps, porém, o assunto gerou muita revolta e críticas. Muitas deles afirmavam que esse tipo de ocorrência não pode ser ignorada e as medidas devem ser tomadas pelos próprios agentes envolvidos no meio, como treinadores, proprietários e criadores. "Acho que isso aí é ruim para todo mundo, não é só pra festa. É ruim para os criadores, participantes e para as pessoas que investem em um muar de qualidade para fazer boa apresentação. É um prejuízo muito grande para a associação e para os criadores que tem isso como um esporte, que gostam e que investem nisso". afirmou um dos comentários. Grande parte dos críticos também afirmaram que o conjunto deveria ser desclassificado, passando o título ao conjunto reservado.

Diante do ocorrido, a Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga (ABCJPêga), que chancelou o evento ocorrido em Governador Valadares, soltou um "Nota de Repúdio", na qual critica também o ocorrido e destaca as regras da instituição para provas desse tipo. Também afirma que vai apurar as responsabilidades. "A Associação sempre estará atenta ao respeito pela saúde e bem-estar dos animais que são o maior patrimônio da raça Pêga", afirma. Veja a íntegra da nota abaixo:

A reportagem da Horse e Muladeiros entou contato com o juiz Fernando Maranhão, mas não obteve resposta.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA DE REPÚDIO DA ABCJPÊGA

Belo Horizonte, 16 de julho de 2019

Julgamento Prova de Marcha de Muares

A Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga recebeu denúncias de irregularidade, em uma das categorias da copa realizada em Governador Valadares, evento este chancelado pela associação, apesar de não ter sido julgado por árbitro oficial da ABCJPÊGA.
A denúncia diz respeito a um ferimento com sangramento de um dos animais, durante sua apresentação e mesmo assim foi campeã da categoria.
Ressalta-se que o sangramento, conforme o regulamento da entidade, é critério de desclassificação:
Art.35 – Serão desclassificados os animais que apresentarem as seguintes características: 
b) Sangramento em qualquer região zootécnica do muar; 
c) Sangramento nos boletos ou em qualquer região zootécnica do muar;
Art.36 - Parágrafo 1º: Ao final do concurso, será feita vistoria, utilizando papel toalha ou qualquer material similar, para diagnosticar e guardar como prova dos animais desclassificados por sangramento.

A Diretoria Executiva da ABCJPÊGA vai apurar os fatos rigorosamente. 
A Associação sempre estará atenta ao respeito pela saúde e bem estar dos animais que são o maior patrimônio da raça Pêga.
Cordialmente,
Diretoria Executiva
ABCJPÊGA

 

Revista Horse
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