06-Mar-2020 10:29 - Atualizado em 06/03/2020 11:44
Entrevista exclusiva

Santi Serra, o adestrador de cães e cavalos

O horseman Santi Serra Camps, um dos astros do Hop Top Show da Equitana, fala sobre a vocação e seu espetáculo com cães e cavalos

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Entrevista Santi Serra, com as edições da Horse e Muladeiros, na Equitana 2017Marcelo Mastrobuono

O espanhol Saint Serra Camps é o que se pode chamar de um homem privilegiado. Tem tudo o que gosta ao seu redor, em especial cavalos e cachorros, seus parceiros nas apresentações que faz mundo afora e encanta milhares de pessoas. Nada mal para o garoto nascido em Barcelona (Espanha), que começou a fazer shows aos 18 anos e hoje, aos 28, é uma das estrelas do Hop Top Show da Equitana.

Nesta entrevista concedida com exclusividade à Revista Horse, em Essen, na Alemanha, ele fala sobre sua vocação na relação com os animais e como faz  para treinar duas espécies tão diferentes, cachorros (predadores) e cavalos (predados), em sintonia de harmonia e companheirismo.

E não para por aí. Além dos melhores amigos do homem, Saint quer mais. Revela que está treinando águias, falcões e lobos para os próximos espetáculos. “Juntá-los como amigos para mim é o mais importante”, considera. Confira!

O que começou primeiro, sua história com os cavalos ou com os cachorros? 

Com os cavalos. Minha família e eu nascemos entre os cavalos. Meus pais eram criadores de cavalos árabes e sempre me diziam que começamos a andar a cavalo antes mesmo de caminhar. Em toda minha vida sempre estive com os cavalos, cresci entre eles.

Como nasceu o interesse de treinar os cavalos? 

Em minha história sempre estive nas competições, no turfe e no show de morfologia, de beleza, e os cavalos da minha família eram para competir nisso, mas nunca gostei muito dessas competições; queria algo diferente. Então meus pais me presentearam com cavalos selvagens, para que eu pudesse estudar seus comportamentos. Comecei a treinar o primeiro cavalo e dali em diante começou o espetáculo. Agora já faz 10 anos desde o primeiro espetáculo.

O que é mais difícil, treinar os cavalos ou os cachorros? 

É totalmente diferente. Cada animal tem uma especialidade no treinamento, mas é preciso saber como cada um se comporta. Os cavalos são herbívoros e os cachorros predadores, por isso parecem mais com os humanos. Já os cavalos costumam ter medo de nós, pois somos predadores para ele. Os cachorros também não vivem tanto em manada como os cavalos. São coisas diferentes, mas que no final o mais importante é a disciplina. O humano precisa se transformar em cavalo e não o cavalo em humano; e assim também acontece com os cachorros, desta forma se consegue trabalhar. 

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Santi Serra: “Gosto de improvisar porque é muito importante para mostrar a liberdade do cavalo. Quero que vejam que estão ao meu lado e que não fazem tudo aquilo porque são obrigados”Marcelo Mastrobuono
São linguagens diferentes que se usa para falar com os cachorros e com os cavalos? Como é cada uma? 

De certo, são linguagens diferentes. Para os cavalos, o mais importante é que no dia a dia, quando eles estão ao meu lado, seja tudo um jogo, uma forma de diversão. Eles não querem escapar porque sabem que sou o líder da manada e eles precisam de um líder. Com os cachorros é o mesmo, sempre como um jogo, com motivação. Eles precisam saber que têm um amigo ao lado deles que vai ajudá-los a fazer o que precisam.

Os treinos dos cavalos e cachorros são juntos ou separados?

Primeiro treino os dois separados e, depois, juntos. Treino todos os dias porque temos 36 cavalos, e os treinos ocorrem de 5 a 30 minutos. Com cachorros fazemos muitos filmes e propagandas, mas não temos um horário preciso para isso.

Demora muito tempo para preparar o cavalo para um show?

Se o show for muito grande como o Hop Top Show, que tem muito público e iluminação, precisa de um pouco mais de tempo. Mas parar sair para um show normal, um cavalo com seis meses de preparação já pode ser inscrito. O cachorro com menos, aproximadamente dois meses de treino.

É possível fazer uma comparação entre a inteligência do cavalo e do cachorro? 

São inteligências diferentes, mas os dois são muito inteligentes. Não se pode comparar. Algumas pessoas dizem que os cavalos não são inteligentes, mas não é verdade. Ensinei um cavalo a tirar o chapéu e no dia seguinte ele já fazia perfeitamente, com apenas um treino; isso é inteligência para mim. Tenho um cavalo que pinta quadros, e eu apenas o ensinei a usar o pincel.

Como é sua rotina de atividades? Faz shows pelo mundo todo?

Nos finais de semana estou sempre fazendo shows e procuro estar em casa nas segundas, terças e quartas-feiras. No restante dos dias estou sempre viajando com o espetáculo e durante a semana fazemos vários filmes; hoje, por exemplo, estão fazendo um filme em casa com sete cavalos; ontem foi com um cachorro. A cada semana fazemos entre dois e três filmes diferentes e aos finais de semana os espetáculos. Por isso temos muitos cavalos para poder dividir em vários grupos diferentes.

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Santi Serra: “Cada animal tem uma especialidade no treinamento, mas é preciso saber como cada um se comporta. Os cavalos são herbívoros e os cachorros predadores...São inteligências diferentes, mas os dois são muito inteligentes. Não se pode compararMarcelo Mastrobuono
Como você se sente hoje sendo uma das principais atrações em um evento tão importante quanto a Equitana, o Hop Top Show?

Na verdade, me sinto muito feliz porque estou vivendo um sonho que tive a vida toda. Poder chegar tão alto com meus animais, minha família, isso é o mais importante para mim.

Você teve algum professor, algum mestre?

Não, meus professores são os cavalos. Eles que mais me ensinaram a poder ajudá-los a serem artistas e os que me ensinaram muito sobre a vida também.

Você tem algumas referências das pessoas que mexem com cavalos, pelo menos que você admira? 

Não sei bem quem dizer, pois existem muitos métodos diferentes e tenho o meu próprio. Cada um acredita no seu. Mas acho que existem várias outras pessoas que também trabalham muito bem, mas são pessoas diferentes, que não opinam o mesmo.

Como você forma os números e o seu show como um todo?

Formamos os shows com os treinamentos em casa, no dia a dia, é quando despertam coisas novas. Ou então até vendo um filme que não seja de cavalos, como de carros e motos. Ali pode aparecer uma imagem que se adapta ao espetáculo.

O Frederic Pignon disse à Horse, em 2011,  que conseguia fazer no show entre 30 e 40% do que ele treinava com seus cavalos. Com você acontece isso também? 

Sim, isso sempre acontece porque aqui na pista nós temos um tempo. Esses cavalos que tenho aqui sabem 60 exercícios diferentes, com 12 minutos que temos para fazer o show não conseguimos realizar todos os exercícios. São quatro cavalos e dois cães no espetáculo, não tem como fazer os 60 exercícios por animal. Tudo que eu treino é exatamente como acontece aqui, não faço nada em casa que o cavalo não goste.

Às vezes precisa improvisar alguma coisa ou acontece sempre como o ensaiado?

Sempre improviso. Gosto muito de improvisar, mas todos os exercícios que faço também foram treinados em casa. Gosto de improvisar porque é muito importante para mostrar a liberdade do cavalo. Quero que vejam que estão ao meu lado e que não fazem tudo aquilo porque são obrigados. Eles são os profissionais do espetáculo, e eu só estou no meio da pista para ajudá-los.

Você se sente privilegiado pelo fato de trabalhar com os dois animais mais próximos do homem?

A verdade é que também estou treinando águias, falcões e lobos para os próximos espetáculos. Estou juntando um cavalo e um lobo e uma águia, ou seja, dois predadores e uma presa, e juntá-los como amigos para mim é o mais importante. Este número em princípio será para o próximo ano, esperamos que seja na próxima Equitana!

O que você conhece do Brasil? 

A verdade é que o Brasil me encanta. Nunca estive lá, mas mesmo assim é um dos lugares que gostaria de visitar. Há dois ou três anos fizeram uma grande reportagem minha no Domingão do Faustão e conseguimos muitos seguidores e fãs, por isso quero poder fazer um grande show para eles. A cada semana temos mensagens de brasileiros perguntando quando vamos ao Brasil. Espero que em breve!  (Entrevista publicada na edição 96 da Revista Horse)

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Santi Serra Camps

Santi Serra Camps

O espanhol Saint Serra Camps é o que se pode chamar de um homem privilegiado. Tem tudo o que gosta ao seu redor, em especial cavalos e cachorros, seus parceiros nas apresentações que faz mundo afora e encanta milhares de pessoas. Nada mal para o garoto nascido em Barcelona (Espanha), que começou a fazer shows aos 18 anos e hoje, aos 28, é uma das estrelas do Hop Top Show da Equitana.

Nesta entrevista concedida com exclusividade à Revista Horse, em Essen, na Alemanha, ele fala sobre sua vocação na relação com os animais e como faz  para treinar duas espécies tão diferentes, cachorros (predadores) e cavalos (predados), em sintonia de harmonia e companheirismo.

E não para por aí. Além dos melhores amigos do homem, Saint quer mais. Revela que está treinando águias, falcões e lobos para os próximos espetáculos. “Juntá-los como amigos para mim é o mais importante”, considera. Confira!

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