06-Mar-2020 13:49 - Atualizado em 12/03/2020 16:28
Nutrição

Suplementação equina

Animais de esporte precisam de produtos com alto teor de energia para suprir suas necessidades diárias

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Os cavalos no Brasil já tiveram e continuam tendo sua função na agricultura e pecuária, no desbravamento de novas áreas produtivas, além de servir como meio de transporte e serviços e isso demonstra importante dimensão econômica à criação de cavalos no país. Hoje, ele também conquistou seu espaço no esporte e o seu leque de atividades é cada vez mais diversificado. O grande desafio de se criar cavalos é produzir animais saudáveis e resistentes, visto que com o crescimento do setor, exige-se mais dos animas e eles acabam sendo inseridos cada vez mais jovens em programas de treinamento e reprodução. Por consequência as exigências nutricionais também aumentam.

Devido aos custos elevados da alimentação, alternativas que fogem do “convencional”, passaram a ser exploradas nos últimos anos. Para garantir a demanda, os criadores passaram a utilizar produtos e subprodutos de grãos de cereais com alto teor de amido em substituição à alimentação volumosa, por ser uma fonte rápida e de grande quantidade energética. Outras vantagens é que estes produtos apresentam custo acessível e não necessitam de muito espaço para armazenagem. Além disso, dietas compostas apenas por forragens não são capazes de suprir a energia requerida pelo cavalo em atividade.

Probióticos

Entre os aditivos utilizados na produção animal, destacam-se os probióticos, que trazem benefícios à saúde do hospedeiro, não deixam resíduos nos produtos de origem animal e não promovem resistência às drogas. Os probióticos têm sido utilizados em outros monogástricos (aves e suínos) como promotores de crescimento em substituição aos antibióticos. Contêm microrganismos e substâncias que propiciam o balanceamento microbiano intestinal adequado e contribuem efetivamente para a melhoria na absorção dos nutrientes pelo organismo animal.

O pH e a taxa de renovação são fatores químicos e fisiológicos que influenciam o crescimento microbiano. Ambos são influenciados pela dieta e por outros fatores correlacionados como o nível de consumo, o manejo alimentar, a qualidade da forragem e a relação volumoso/concentrado.

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Além do volumoso os cavalos que praticam algum esporte devem receber suplementação
As leveduras têm sido administradas aos animais há centenas de anos, seja na forma de mosto fermentado, subprodutos de fábricas e destilarias ou como produtos comerciais especialmente produzidos para alimentação animal. Atualmente, existem várias pesquisas em andamento para demonstrar a importância do equilíbrio na microbiota intestinal através de alimentação adequada e saudável. O objetivo é favorecer o crescimento de uma microbiota benéfica, e assim obter um melhor aproveitamento alimentar e desenvolvimento do animal. Uma estratégia para isso é o uso de leveduras vivas como a Saccharomycescerevisae.

A Saccharomycescerevisiae também conhecida como “Baker´s yeast“ têm sido a principal levedura utilizada para estas finalidades. Mas outras espécies também ganharam importância e receberam denominações muito comuns como é o caso da Candidautilis (Torula), capaz de produzir pentoses e a Kluyveromycesmarxianus (WheyYeast) ou levedura de soro de leite, que utiliza a lactose como substrato.

As leveduras são fungos microscópicos com cerca de 5-10 micrômetros de diâmetro. A multiplicação das células é por brotamento ou por fissão utilizando diferentes fontes de carbono. São microrganismos anaeróbios facultativos, o que significa que podem sobreviver e crescer com ou sem oxigênio. Em geral os processos de propagação e produção de biomassa de leveduras são aeróbios, como acontece com o fermento de pão. Neste caso, a levedura S. cerevisa e converte oxigênio e açúcar em dióxido de carbono e biomassa celular gerando um saldo de 36 ATPs por molécula de glicose. O ATP fornece energia necessária para a célula desempenhar suas atividades metabólicas e multiplicação.

A energia na nutrição equina é o fator de maior importância principalmente para o cavalo em atividade, sendo fornecida através da utilização da forragem e mistura com o concentrado. A necessidade protéica, vitamínica, mineral e dos outros nutrientes, depende da forragem recebida e da fase de vida que se encontram. Já a necessidade energética deve levar em consideração alguns parâmetros como: o tipo de trabalho, tempo de duração, temperatura ambiente, condição do animal, entre outros.

A produção de ácidos graxos voláteis (AGVs) no intestino grosso dos equinos através do consumo de forragens, pode suprir em grande parte a necessidade energética de mantença. Mas para atingir a necessidade energética de cavalos em atividade se torna insuficiente e nestes casos é comum a adição de grãos e/ou subprodutos de grãos de cereais, que possuem grandes quantidades de amido que fornecem mais energia do que as forragens.

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Animais que praticam Salto precisam receber suplementação equina para a rotina diária
Os carboidratos ocupam aproximadamente 75% da ração da dieta dos equinos, no entanto, é necessário que haja equilíbrio entre carboidratos estruturais e não estruturais. A ingestão de quantidades elevadas de amido na dieta do cavalo pode não ser totalmente digerida no intestino delgado, chegando ao ceco e cólon e promovendo o desequilíbrio da microbiota intestinal. Essa mudança na microbiota pode ter como consequência o aumento da produção de ácido lático e queda do pH, podendo causar distúrbios gastrointestinais e deixando o animal mais susceptível a cólica e laminite, por exemplo.

Além disso, a eficiência de utilização da fibra dietética pelos equinos está associada a importantes fatores como a composição da dieta, especialmente a proporção entre volumoso e concentrado, a taxa de fermentação microbiana e a taxa de passagem da digesta. A maior digestibilidade da fibra geralmente está associado ao aumento do tempo de retenção da digesta.

O conceito de probiótico foi relatado pela primeira em 1907, onde observou-se que o consumo de leite fermentado por um grupo étnico específico, foi responsável por uma maior longevidade e sugeriu que estes produtos manipulavam a microbiota intestinal, auxiliando no equilíbrio das bactérias patogênicas e não patogênicas. A estabilização da microbiota no intestino ajuda o animal a resistir a infecções, particularmente do trato gastrointestinal.Vale lembrar que este equilíbrio também pode ser influenciado pela dieta e por fatores ambientais, sendo os três principais: o excesso de higiene, uso de antibióticosterápicos e estresse.

Os probióticos são usados para proporcionar enzimas digestivas e tentar estabelecer um equilíbrio desejável dos organismos intestinais. Vários microorganismos são utilizados como probióticos, sendo os mais comuns os do gênero Lactobacillus, Bifidobacterium, Streptococcus, além das leveduras vivas como a Saccharomycescerevisiae.

Seguindo a mesma linha de pesquisa e analisando a influência da cultura de S. cerevisae na digestibilidade aparente e na taxa de passagem de cavalos alimentados com concentrado e volumosos em proporções iguais, concluíram que a suplementação com levedura melhorou a digestibilidade. Isso ressalta a estratégia de usar a levedura para estimular a digestão da celulose e melhorar o estado nutricional de cavalos submetidos a dietas com concentrado e volumoso. Como se pode observar, a dieta é apenas um dos sérios fatores que podem influenciar os resultados. O efeito estimulante de crescimento por si só pode ser variável, pois isso ocorrerá quando animais forem afetados pela depressão do desenvolvimento da microbiota. (Artigo publicado na edição 62 da Revista Horse)

Revista Horse
Thiago Centini

Thiago Centini

É graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de Franca (UNIFRAN), Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) e Consultor Técnico de Equinos da Premix.

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