04-Dez-2020 11:52 - Atualizado em 05/12/2020 08:23
Treinamento

Varinha, uma ajuda à equitação

Ferramenta deve ser usada com critério e servir como extensão do braço do cavaleiro

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A varinha, como prefiro me referir, é uma das ferramentas do “quadro” de ajudas que temos disponível no treinamento com os cavalos. O uso correto desta ajuda dependerá do conhecimento e da sensibilidade de quem a utilizará e, principalmente, pela maneira com que ela é encarada. Não gosto de utilizar o termo chicote, pois, infelizmente, pode ter uma conotação de violência ou castigo que é inaceitável e injustificável. Pode ser conhecida também como tala, rebenque ou pingualim.
A varinha é uma excelente ajuda, mas deverá ser utilizada com critério e cuidado. Antes de iniciar o trabalho com ela, faz-se necessário que o cavalo passe por um processo de familiarização, que deverá ser gradual e obedecerá uma lógica. O cavalo deverá conhecer a varinha, assim como todas as outras ferramentas que forem apresentadas a ele. Deixe-o olhar, cheirar e tocá-la com a ponta do focinho. Faça alguns movimentos suaves perto dele até que se familiarize e não demonstre medo. Todos os novos objetos e ensinamentos poderão gerar tensão e medo. Por este motivo, o aprendizado deverá ser gradual exigindo do cavaleiro uma boa dose de paciência. Devemos, também, demonstrar tranquilidade e relaxamento, haja vista que o cavalo é um animal muito inteligente e sensível. Se perceber tensão, medo e irritabilidade em quem vai tratá-lo, o animal perceberá e rejeitará o exercício.
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Se o cavaleiro usa a varinha sozinha, ele ensina o cavalo a responder a ela, sem associá-la com a ajuda da perna
A apresentação da varinha ao cavalo deve ser tão natural como se na mão portássemos um galho qualquer. No meu caso é ainda mais fácil, pois gosto de utilizar uma varinha de bambu, que é leve e cumprida. Preferencialmente gosto das varas de marmeleiro, mas no Brasil as de bambu são facilmente encontradas. Em provas oficiais de Adestramento o cumprimento não deverá passar de 1,20m e a empunhadura­ de 1.5cm.
Costumo referir-me à varinha como a extensão do meu braço. Ela poderá chegar em locais que as minhas mãos não podem ou conseguem alcançar. Apresento-a inicialmente numa posição inicial para baixo, depois longitudinalmente ao nosso dorso, bem rente, oferecendo-o (o dorso com a vara) ao animal, que deve chegar naturalmente, observar, cheirar e habituar.
Montado, o cavaleiro deve usá-la quando a perna do mesmo lado está pronta para levantar e sair do chão. Se o cavaleiro usa a varinha na hora errada, por exemplo, quando a perna do mesmo lado está indo para baixo, o cavalo não é capaz de responder à varinha adequadamente. Cria-se uma contradição entre o efeito e os resultados inesperados, confundindo o cavalo, o que gera tensão.
Um outro detalhe importante é a associação do uso da varinha com a utilização simultânea da perna do mesmo lado. Se o cavaleiro usa a varinha sozinha, ele ensina o cavalo a responder a ela, sem associá-la com a ajuda da perna. Como acontece com qualquer auxílio artificial, a varinha se destina a reforçar os auxílios naturais, ou seja, ela não substitui a perna. Certifique-se de seguir um protocolo muito específico ao usar o chicote para garantir que seu cavalo não se torne dependente da varinha e acabe esquecendo das ajudas naturais. Se o cavalo não é sensível às ajudas naturais, devo voltar um passo atrás e exigir que todos os princípios básicos estejam devidamente consolidados.
A varinha é amplamente empregada nos trabalhos de chão, onde é muito útil como uma ferramenta de estímulo e impulsão. Assunto para um próximo artigo! Ela é, de fato, uma ferramenta muito eficiente que deve ser utilizada com técnica e cuidado. O cavaleiro deverá ter em mente que ela deverá ser usada como um estímulo positivo, motivando o cavalo a usar o seu corpo. O uso da varinha deve seguir o velho ditado “menos é mais”. Um cavalo com bom treinamento usará cada vez menos as ajudas artificiais. Lembre-se disto! (Artigo publicado na edição 79 da Revista Horse)

Revista Horse
Ndzinji Pontes

Ndzinji Pontes

Cavaleiro angolano radicado no Brasil, titular da Coudelaria Função em Ibiúna, SP, é um dos mais respeitados treinadores de adestramento do Brasil, recebendo em seu centro de treinamento os mais importantes cavalos da modalidade no Brasil.

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