07-Mar-2020 00:00 - Atualizado em 09/03/2020 16:23
Veterinária

Xô, Carrapatos!

Qual o melhor método e período para controlar essa praga

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Os carrapatos são ectoparasitos obrigatórios, hematófagos (alimentam-se do sangue e vivem no animal hospedeiro) e causadores de sérios transtornos aos criadores. Os prejuízos econômicos manifestam-se por perdas diretas e indiretas aos animais, além dos custos com químicos para controlá-los, custos com manejo, instalações apropriadas e danos ambientais pelo elevado uso de carrapaticidas. Além disso, ele também transmite os agentes da Piroplasmose equina (Babesiose ou “Nutaliose equina”), enfermidade responsável pelos maiores prejuízos no rebanho.

Atualmente, três espécies de carrapatos da família Ixodidae (também chamados de carrapatos duros) têm sido identificadas como mais importantes, pois são transmissores da babesiose (piroplasmose) nos equinos. São eles: Amblyomma cajennense (estrela, vermelhinho ou micuim); Dermacentor nitens (carrapato da orelha dos equinos) e Boophilus microplus (carrapato do boi).

Tanto o Boophilus como o Dermacentor são carrapatos de um só hospedeiro, mas os machos possuem grande motilidade

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e longevidade, o que lhes permite uma significativa sobrevivência (80 a 120 dias) e neste período podem infectar mais de um hospedeiro na procura de uma fêmea para se acasalar. No seu ciclo de vida, o carrapato apresenta duas etapas distintas: uma fase parasitária, durante um período médio de 22 dias sobre um único hospedeiro e uma fase não-parasitária que ocorre no solo e podendo durar em média dois a três meses, dependendo fundamentalmente das condições climáticas existentes.

O Amblyomma é um carrapato que passa em mais de um hospedeiro para completar seu ciclo, mas ainda não está estabelecido o papel do principal carrapato que parasita os equinos (o micuim). Sendo também vetor da febre maculosa que pode ser transmitida para os humanos.

O ciclo biológico do carrapato se dá parte no hospedeiro e parte no solo (nas pastagens), e para que este ciclo de vida se complete ocorrem três fases: larva, ninfa e adulto. As larvas, ninfas e carrapatos adultos se alimentam do sangue do animal até que as fêmeas repletas e acasaladas caem ao solo para ovipor. Os ovos sofrem muda para larvas, mudam para ninfas, quando sobem no hospedeiro, onde começam a se alimentar, crescem e tornam-se adultos, voltam ao meio e o ciclo continua (ciclo rápido – 21 dias).

O tempo necessário para que o carrapato complete seu ciclo biológico depende do seu tipo de ciclo e das condições climáticas, podendo variar de meses em regiões tropicais até anos em regiões de clima frio.

No Brasil, as infestações por larvas ou micuins são observadas particularmente a partir dos meses de março-abril até meados de julho quando se inicia o período ninfal.

Carrapaticidas
Desde o início do século, quando os carrapatos tornaram-se um problema econômico para a equideocultura e bovinocultura, os carrapaticidas químicos têm sido os principais instrumentos efetivos de controle, sendo que todos os produtos utilizados ate recentemente não possuíam indicação de uso nos equinos (Cipermetrina, Deltametrina, Amitraz, Organofosforados, etc.).

O manejo correto desses produtos é fundamental para o sucesso no controle dos carrapatos e a segurança dos animais e operadores.

O método de aplicação dos carrapaticidas líquidos (ex: Cipermetrina) só era feito através do uso de pulverizadores manuais. Nesta situação, os produtos são formulados como concentrados emulsionáveis (diluídos em água) e indicados para uso em bovinos, ovinos, suínos e raramente equinos. Os pulverizadores são geralmente utilizados em pequenos números de animais e causa um grande estresse nos mesmos.

Estratégia de controle do carrapato em equinos

Os carrapaticidas são os principais instrumentos eficazes de controle para o carrapato, tanto em equinos como em bovinos. A correta manipulação e aplicação dos mesmos constituem-se em pontos fundamentais no sucesso desse controle. Entretanto, a dependência exclusiva dos carrapaticidas como fator isolado de combate aos carrapatos é uma tática de controle que não deve ser preconizada.

A decisão de uso de um determinado carrapaticida deve ser amparada na epidemiologia local do carrapato, na escolha adequada do carrapaticida (seguro para os animais – indicação de bula) e na escolha do período de uso do produto.

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O ciclo de parasitismo sobre os equinos reinicia na Primavera, acontecendo a denominada primeira geração. Na sequência, estes carrapatos cairão ao solo, efetuarão postura, haverá eclosão e novamente, retornarão a infestar os equinos e bovinos com mais intensidade entre os meses de janeiro e fevereiro, dependendo das condições climáticas. Novamente estes carrapatos, responsáveis pela segunda geração, cairão ao solo, repetindo o ciclo e retornando para realizarem a terceira geração, entre os meses de abril, maio e junho, que é mais acentuada em consequência de haver uma maior disponibilidade de larvas nos pastos. Sempre conforme as variações climáticas da região.

Portanto, esta é à hora de atacar quem ataca seus animais e seu bolso sem piedade, promovendo tratamentos com o carrapaticida da sua escolha.

Outro método é a utilização de produtos homeopáticos no sal mineral ou na ração dos animais para controle de moscas e carrapatos. Apesar de ser um método seguro, pois não utiliza produtos químicos, fico impossibilitado de falar sobre o mesmo por nunca ter tido experiência com o produto em questão e também porque o uso deles em rebanhos é questionável já que sempre se preconizou que a homeopatia é um tratamento de individuo. Mesmo os fabricantes destes produtos recomendam tratamentos de choque em intervalos regulares.

Ainda temos alguns produtos para controle de parasitas internos em equinos que auxiliam no controle dos carrapatos, como produto a base de ivermectina, moxidectina entre outros.

Box: Principais prejuízos causados pelos carrapatos nos cavalos

  • injúrias, papel espoliativo (sugam o sangue e ferem a epiderme);
  • transmissão de agentes patogênicos, causadores de doenças aos equinos;
  • picada, irritação, porta de entrada de miíases e infecções;
  • retardo no desenvolvimento dos animais;
  • estresse e diminuição da performance no trabalho ou lazer;
  • inflamação da pele e queda de pelos.
  • coceira, feridas etc.

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Serviço:
Rosalma Bidos, Médica Veterinária - Canoinhas (SC)
Reuel Luiz Gonçalves, DVM, Msc - Médico Veterinário Especialista em Equinos

Rosalma Bidos, Reuel Luiz Gonçalves/Revista Horse
Reuel Gonçalves

Reuel Gonçalves

é Médico Veterinário Especialista em Equinos 
CRMV SP 5595 & CRMV PR 5581/S
e-mail: [email protected]

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