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Comprei um potro Mangalarga e estava o alimentando com ração balanceada. Depois de alguns meses, ele teve uma forte cólica e quase morreu. Abandonei a ração e resolvi dar farelo de trigo e feno e ele melhorou. Depois voltei com a ração e ele voltou a ter cólicas. O que devo fazer para isso não se repetir?

Carmelo Pinto Arruda
12 de Julho de 2016 - 14:41

Vamos esclarecer alguns pontos sobre as cólicas. Cerca de 95% delas são causadas por erro de manejo que o homem impõe ao animal. Desta forma, se o seu animal tem o problema, o manejo deve ser revisto atentamente para descobrir-se a causa. Aqui os detalhes são fundamentais, sendo importante a visita de um técnico competente, que saiba o que procurar para averiguar as causas.

A primeira tendência, em casos de cólicas, é dizer que foi a ração. Desta forma, vamos esclarecer alguns pontos referentes a isso: ração de boa qualidade, procedência, armazenada e bem administrada não causa cólica no equino.

O uso errado da ração, ofertada em grande quantidade, ou em uma única refeição, ou de origem não idônea (fábrica de fundo de quintal ou que não tenha preocupação técnica real com qualidade e necessidade dos equinos) ou ainda contaminada ou estragada, causa problemas, mas tudo isso vem pela mão do homem.

O cavalo tem determinadas características anatômicas que, em liberdade, não são problemas, mas ao ser domesticado e ser-lhe impingido certas condições não-naturais, como excesso de confinamento e falta de volumoso, facilitam o aparecimento das cólicas, como: (i) presença de cárdia, que impede o refluxo de alimento do estômago; (ii) estômago com pequena capacidade volumétrica; (iii) Intestino Delgado longo e com pequena luz, isto é, tem pequeno calibre; (iv) Intestino Grosso com diversas flexuras, que são adelgaçamento do intestino com espessamento da parede.

Além dessas características anatômicas existe a fisiológica, onde a digestão do cavalo é dividida em enzimática, que ocorre no estômago e intestino delgado, e o tipo preferencial para os alimentos concentrados, e a digestão microbiana, que ocorre preferencialmente no ceco e cólon, onde há uma simbiose do equino com microorganismos que ali habitam, que quebram a celulose e outros componentes do alimento e disponibilizam esses nutrientes ao equino. Desta forma, o respeito às condições anátomo-fisiológicas são de extrema importância para a sobrevivência do animal.

Um problema grave da dieta que está utilizando é o desequilíbrio nutricional que traz consequências desastrosas para o desenvolvimento e crescimento do potro. A dieta precisa ser equilibrada, com alimentos de qualidade, na quantidade certa, que atenda às necessidades da categoria e de origem idônea e serem administradas com o manejo correto para o animal, e não adaptado às nossas necessidades, como muitos o fazem, por exemplo, pessoas que só tratam do animal uma vez por dia.

Com relação ao manejo, a base da dieta deve ser o volumoso, também de boa qualidade, administrado preferencialmente a vontade, em pastagem. Se for dado o feno, ou capim de capineira, este deve ser dividido em três porções diárias: 25% de manhã, 25% às 13h, 50% no final da tarde para passara a noite.

A ração concentrada, de empresa idônea, recomendada para atender as necessidades de seu animal, nunca deve ultrapassar 1 kg para cada 100 kg de peso do animal por dia, sendo ainda dividido em duas ou três refeições. Para cada refeição, não ultrapassar 0,4 kg de ração para cada 100 kg de peso. Deixar ainda sal mineral específico para equinos e água fresca e limpa a vontade.

André Cintra
é Médico veterinário, professor da Faculdade de Jaguariúna (FAJ) e especialista em nutrição equina.

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