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Resposta

Tenho um cavalo que se coça o dia inteiro. Apliquei diversos remédios e nada resolveu o problema. O que mais posso tentar?

Diana Leite
12 de Julho de 2016 - 14:43

Varias são as possíveis causas da coceira em equinos, partindo de uma simples alergia a picadas de insetos, a possível queda de resistência imunológica que favorecem dermatomicoses (fungos), dermatofiloses (bactérias) e as alergias alimentares.

A dificuldade persiste em identificar o provável agente causal, pois sendo o mesmo identificado podemos controlar o sintoma da coceira.

Diversas dermatoses caracterizadas por queda de pelos e / ou formação de escamas e crostas são, por vezes erroneamente imputadas às infecções por dermatófitos. A principal característica clínica da dermatofitose é a natureza multifocal de suas lesões.  A sintomatologia clínica da dermatofitose, incluindo dor e prurido é variável. A infecção é de distribuiçào folicular e as lesões iniciais freqüentemente começam com uma erupção papular com pêlos eretos. As lesões evoluem rapidamente para pápulas crostosas que se espalham circunferencialmente. A lesão clássica é uma área circular de alopecia com pêlos grossos na margem e quantidades variáveis de descamação. Podem observar-se irritação e hiperpigmentação.

 O grau de prurido associado é variável, mas comumente é brando ou está ausente. Em cavalos e bovinos, as lesões comumente se localizam na cabeça, pescoço, ombros e paredes laterais do tórax. Raramente no cavalo, as dermatofitoses podem estar limitadas à face caudal da região da quartela. No cavalo a manifestação inicial da moléstia pode ser similar à urticária, com os pêlos nas regiões afetadas permanecendo eretos. Este quadro pode ser seguido por alguma transudação (humidade) até a superfície. Contudo, muito rapidamente as lesões criam áreas definidamente demarcadas de perda de pêlos, descamação e formação de crostas. Alguns veterinarios enfatizam que a alopecia e/ou a descamação e formação de crostas  abrangendo as áreas de pêlos longos da crina e cauda raramente estão envolvidas.

Enfim, a apresentação macroscópica das tinhas nos animais domésticos costuma apresentar áreas arredondadas, alopécicas, com eritema maior ou menor, principalmente periférico, com hiperceratose (seborreia) e descamação. Raramente há inflamação visível, e quando há geralmente a lesão causada se deve ao ato de coçar, ou por infecção secundária quase sempre devida a S. aureus.

Fazendo uma avaliação geral, de sua breve descrição de coceira intermitente, com uso de diversos tratamentos infrutiferos, acredito em uma reação alergica alimentar ou a um agente no ambiente.

Ações:

1) Avaliar a alimentação, quanto ao concentrado e volumoso utilizado:

Se utilizar ração comercial, suprimir a mesma por um periodo de 7 a 15 dias para avaliar se ocorre melhora ou nao no quadro de coceira. Fazer o mesmo quanto o volumoso, trocando o mesmo por outro tipo de capim ou feno.

Se com a alteração da dieta o animal apresentar diminuição da coceira, fazer a troca da alimentação. Ração com altas porcentagens de proteinas (acima de 12%) favorecem quadros alergicos, fenos de alfafa tambem.

2) Exposição a agentes alergenicos na baia:

Caso o animal esteja hospedado em baia trocar a cama utilizada, se for areia colocar feno, se for feno colocar maravalha, se for maravalha ver qual a origem da madeira, usar de preferencia maravalha de pinus.

Uma boa opção é a utilização de estrados de boracha.

3) Utilização de produto quimico na limpeza ou desinfecção da baia, na limpesa do material de arreiamento, ou nas mantas:

Trocar os produtos utilizados, por sabao de coco, gliceriana, e produtos de limpeza neutros.

4) A profilaxiada dermatofilose é feita através do isolamento do animal acometido, juntamente com a desinfecção do local e utensílios utilizados no manejo deste animal.

5) Já para dermatomicose, é necessário também que este animal seja isolado; deve ser realizada uma desinfecção com produtos de amplo espectro, do ambiente e dos utensílios utilizados no manejo do animai em questão. Uma boa ventilação e insolação também ajudam minimizar as ações dos esporos.

Tratamento:

Concomitante com a busca do possivel agente causador da coceira, devemos promover um tratamento da pele do animal devido às possiveis infecções oportunistas por fungos ou bacterias.

A utilização de liquido de Dakin (aquisição em farmácias ou lojas agropecuarias), soluções a base de amonia quaternária a 0,5% podem ser utilizadas para pulverizar o animal, em dias alternados para combater estes agentes oportunistas. Pulverizar em dias alterandos, em um total de 7 aplicações érecomendado.

Junto com a pulveriação, devemos utilizar nos locais de maior prurido (coceira) glicerina iodada a 2%, que pode ser adquirida em farmacias de manipulação. Deve-se passar nos locais uma vez ao dia, utilizando-se de uma esponja macia. Ate completa cura (15 a 30 dias).

Atraves destas medidas o quadro de coceira que seu animal apresenta irá regredir ate uma total remissão.

Reuel Luiz Gonçalves
é Médico Veterinário.

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