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Minha égua está prenha e está com uma coceira no corpo todo. Ela se morde para coçar e está saindo o pelo, o que fazer?

Maria Aparecida Ferreira
Pontes e Lacerda ( MT)
12 de Junho de 2019 - 10:16

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Coceiras podem ter várias causas

 

 

        Caro leitor, é muito difícil afirmar o motivo pelo qual os cavalos podem estar apresentando esse sintoma. Dentre todas as causas possíveis, as principais que poderiam apresentar tais sintomas são agrupadas em causas de manejo, nutrição, genética, sanitária e clínicas.

        As causas de manejo são geralmente para animais estabulados e que são guardados com a pele ainda molhada após o banho. Neste caso, o ambiente da pele fica propício para formação de sarnas e fungos. A recomendação é de evitar lavar os animais em horários que haverá a necessidade de recolhê-los ao estabulo ainda com a pele úmida.

        Após o treinamento noturno, por exemplo, recomenda-se a lavagem parcial dos membros, apenas para retirar arreias que possam ter ficado grudado na região de axilas e virilha. Preconize banhos em horários e dias que os animais possam ser secos e que tenha a garantia de uma pelagem bem seca, para retornar ao estabulo. Uso de shampoos e/ou sabonetes com princípios ativos como sarnicidas ou antifúngicos e até mesmo acaricidas, em tempos regulares são uma medida para evitar o surgimento desses problemas e manter a pele saudável.

 

        Nos casos nutricionais, pode estar relacionado à alergia (mais raro) e/ou fotossensibilização (pastagem). A fotossensibilização é algo que pode acometer em animais que se alimentam de pastagens de Brachiarias (ex. Brachiaria humidicola). No início do processo os animais podem começar a apresentar sintomas de coceiras, evoluindo a espessamento de pele (“grosseirão”) e/ ou ulceração de pele. Neste caso especifico, recomenda-se retirar os animais desse tipo de pastagens (retirando da dieta o agente causador). Caso o animal venha a apresentar ulcerações de pele, estas devem ser tratadas.

 

        Entre as causas genéticas que poderiam apresentar esse sintoma ou similar, podemos citar despigmentação de pele. Em animais pintados (tobiano e pampa ou oveiros) pode ocorrer manchas com despigmentação de pele. Ou seja, esses animais, sob o sol, podem ter sua pele queimada. No início da queimadura, o animal apresentará incômodo similar à cocheira. Da mesma forma, com a fotossensibilização pode evoluir para fissuras de pele e formação de “cascas”.

        Dentre as causas que podemos agrupar de origem sanitária, estão a infestação de carrapatos. Em pastagens com infestação de carrapatos, os animais podem se aderir de duas formas: a larval ou a forma adulta. Na forma larval (nome vulgar de “miguin”), geralmente ficam presos à região dos membros (canelas, peito, virilha e ventre). Nesta fase, a larva suga sangue destas regiões, e é comum haver um espessamento de pele característico. Na fase adulta, o carrapato ao se grudar no cavalo e começar a sugar o sangue, vai provocar coceira e os cavalos vão tentar tirar o carrapato se mordendo. Precisa tratar os cavalos com produtos carrapaticidas (banhos). Vale ressaltar que devem ser sempre usados produtos que se destinem a equinos ou asininos.

        Por fim, existem as causas clínicas, que agrupamos simploriamente em dermatites. As dermatites em equinos têm diversos agentes causadores, como picada de insetos (mosquitos, moscas), alergias, bactérias e/ou fungos. Dermatofilose geralmente é provocada por fungos e no estágio inicial provoca coceira. Nestes casos, é preciso identificar o agente causador e realizar o tratamento adequado.

        Como citado ao início, são inúmeras as causas que podem levar a tal sintoma de coceira. É preciso ter mais informações quanto ao local em que o animal está, qual a alimentação, histórico clinico do animal e aspecto de pele, para poder fazer uma identificação mais objetiva. O que recomendamos é que consulte um colega especializado em equinos para fazer essa identificação e realize medidas para evitar complicações.

 

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1.       Doutor em Zootecnia, Professor de Equideocultura e Julgamento de Animais, do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá e Consultor Técnico (Nutrição Animal e Agronegócio – Equídeos). Contato: [email protected]

2.       Mestre em Medicina Veterinária, Professora de Parasitologia e Profilaxia Animal do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá.

 

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